sábado, 10 de outubro de 2009

A janela do sonho

Prometí a mim mesma que não mais iria discorrer sobre minha casa, mas desde ontem tenho comigo a velha janela naval. Fui até o que restou da casinha e a resgatei por alguns trocados dos pedreiros que lá trabalhavam.Ela esta comigo, mas é um corpo estranho aqui em casa.
Pensei que conservando um pedacinho dela, poderia impedir que sua lembrança fosse se apagando de minha memória tal qual as imagens de fotogtafias antigas que com o tempo vão desbotando e perdendo a nitidez.
Imaginei que, se a tivesse, poderia ter a casinha mais próxima de mim mas vejo que com isso apenas cometí o erro de quem conserva consigo as cinzas de um bem querer. A janela apenas me faz lembrar que a casinha se foi com minhas fantasias, com os sonhos recorrentes e com a ilusão de um dia te-la tido para mim.
Ao mesmo tempo gosto de ter a janela. Quem sabe, é uma maneira simbólica de ter afinal, a posse de minha casinha.

2 comentários:

César Ramos disse...

Essa janela naval - em Portugal se diz. vigia - representa os cruzeiros do seu imaginário viajando pelo mundo, vendo só quem você quiser, o céu e o mar!
Muito bacana essa janela de iate!
Tenho uma hélice dentro do mesmo espírito! ela me empurra e dá força, quando é preciso vencer a vida contra a corrente...! Tudo de bom para si!
César Ramos - do blog:
http://alfobre.blogspot.com

+raaport+ disse...

Passei por aqui e soube mais sobre a "sua" casinha. Não acho que é mania perigosa, acho um exercício salutar de sonho. Sonho desfeito, no caso. Até triste. Mas não dá para viver somente a realidade crua dos nossos dias. Ainda mais o hoje em dia. Lhe digo: nessa janelinha, fosse eu, passava uma boa lixa, um primer, uma bela tinta, e punha em uso em algum cantinho. Teria salvado à vida um pedaço do que se esvaneceu.

E me quedo aqui no interior de São Paulo, esperando o dia de voltar a tomar uma calda de frutas aí no Mercado Municipal de PoÁ. O aroma e o gosto me estão indeléveis no cérebro... :)

Abraço!

Ramón.

Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!

    Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...