Mostrando postagens com marcador veterinária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador veterinária. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Criar para comer...não

foto Google imagens
As minhas contradições.
Tratar para o seu perfeito desenvolvimento, bovinos, suínos, aves, animais de produção em geral. Alguem já prestou atenção na doçura da cara de um boizinho? Aqueles longos cilios emoldurando o castanho escuro de seus olhos sem esclerótica aparente. Eles são muito menos interativos que os pequenos carnivoros dometicos, mas não são coisas estupidas ilógicas.
Pouco trabalhei com animais de produção e na faculdade, quase não me interessava por disciplinas que envolvessem este setor da profissão. Fui ter mais contato com eles quando retornei aos bancos escolares para fazer o pós-graduação e algumas disciplinas me levaram para dentro de matadouros. Não, não é o inferno de Dante que alguns cretinos mandam em ppt por e-mail para pessoas menos avisadas, onde fazem crer que estes estabelecimentos são antros de sádicos, que se comprazem com o sofrimento gratuito de animais.
Para trabalhar num matadouro ou frigorifico o indivíduo tem que se alienar. Não pode ficar reparando no olho doce do boizinho. Eles precisam se convencer que estão processando comida.
Pior que abater acho que é criar e vender para o abate, mas isso também é meramente uma etapa de produção de comida. Eu não gosto de carne, não por gostar mais de animais vivos do que mortos, mas por absoluta preferencia gastronômica - se se pode dizer assim.
Em se tirando as vantagens de criar bovinos ou suinos ou outros animais comestíveis, além do paladar de suas carnes, a facilidade de conversão alimento fornecido & peso de carcaça produzida, o fato deles serem muito menos interativos que os demais domesticos facilita infinitamente as coisas. Não posso imaginar fazendas para criação de cães e gatos para consumo humano. Consumo alimenticio, certo? Os cães nos viveiros abanando as caudas e esticando as patas para fora das grades. Latindo e pulando com as bocas abertas com meio metro de lingua exposta como um sorrisão. Os gatos ronronando e se esfregando nas grades, fazendo prrrrrrrr e esticando-se para alcançar suas cabeças nas mãos dos tratadores para obter cafuné. Não dá pedal! Já pensou se os bovinos, suinos ou as proprias aves, sempre tão estressadas e arredias tivessem este comportamento com os seus tratadores.
O cavalo já foi o animal mais estudado nas ciencias veterinarias, pela sua importancia na área da logistica e estratégia em tempos de guerra e de paz e isso, a pouco mais de um século atras! Hoje o cavalo está nos itens de recreação e esporte dos interesses humanos. Minha intuição me diz que o mesmo acontecerá com os animais de produção.
Por enquanto, haverá um aumento no consumo, pois a prosperidade mundial (lenta mas constante) vai levando muitos povos a consumirem mais proteina animal (de alta qualidade), saborosa e cara. Mas com a prosperidade virá também o aprimoramento dos habitos alimentares e então, nossos bovinos serão criados exclusivamente para a produçao de leite, as aves para a produção de ovos e os suínos...bom, estes suinos sempre entraram enviezados em meu caminho. Ah! Acharemos algo para fazer com eles, que não seja devora-los...Acho.
Paulatinamente os habitos carnivoros poderiam ser eliminados e em consequencia olhar sem remorso os olhos de uma vaquinha será mais um prazer agregado aos tantos que eles nos dão.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Aqueles seis...ficaram quatro.


foto de DRReis
Me passaram a perna, aqueles pequenos cockers spaniels americanos. Nunca imaginaria ve-los com quase um mes. Após um parto difícil e completamente rejeitados pela mãe, quatro "vingaram" e dois ficaram no caminho. A maiorzinha teve um problema no olho esquerdo que certamente a deixaria cega. Um animal cego é uma das coisas mais tristes que posso listar. Eles até acabam se superando e com o apoio dos donos e paciencia, a vida não é tão severa, mas o susto constante, o sobressalto a cada simples aproximação, acaba os deixando estressados e imunodeprimidos, vulneráveis demais. Não sou apologista da eutanásia mas ela deve ser considerada nestes casos. O mesmo vale para animais que perdem a capacidade de locomoção ou de realizar satisfatóriamente suas necessidades fisiologicas. O que vale é a qualidade de vida deles. Sofrem eles, sofremos nós. A eutanasia é um instrumento que me é legalmente colocado ao alcance das mãos.
Não me lembro de quantas já fiz.
Quando tenho que realizar este procedimento, procuro pensar o mais tecnicamente possivel. A anestesia deve ser feita de modo a obter uma boa sedação com o minimo de dor e de desperdício de fármaco. O produto letal de eleição deve ser o mais eficiente e rapido pois muitas vezes o proprietario exige presenciar o procedimento. Que tipo de curiosidade mórbida pode levar uma pessoa a desejar ver a eliminação - mesmo que caridosa e necessaria de seu ..... amigo?
Quantas vezes ao me aproximar de um paciente moribundo, para perscrutar o loco e fazer a intracardíaca, sou recebida com um lento e exausto abanar de cauda..É pra matar - sem trocadilho infame! Nestas ocasiões fico me mortificando. Pensamentos do tipo: Eles confiaram em ti. Tirei a vida de uma criatura de Deus - o Deus no qual eu não creio, mas que devo respeitar pois outros creem. Mas o que é a vida? O que é a morte? Duas coisas que posso fazer e desfazer com minhas artes.
Enfim, os pequeninos cocker que não sobreviveram me pouparam de mais um sessão de auto-flagelação psicologica a que as eutanasias me submetem. O proprietario não ia querer ficar com um cão cego ou com retardo e após vinte anos, já me curei de perfilhar todos os enjeitados, tortos e mal-amados que a profissão me apresentou. Foram embora por si mesmos.
Obrigada meninos.

Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!

    Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...