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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sem fé e sem medo

foto Google imeagens
Não consigo situar quando foi que deixei de crer em Deus. Na verdade, não me lembro de ter crido realmente. Fui educada no catolicismo, fiz catequese, comunhão, casamento na igreja, batizado dos filhos...tudo para satisfazer formalidades, parentes e amigos. Não ganharia nada sendo rebelde e deixar de seguir estas charas. Nunca senti necessidade de crer em algo para me dar forças, sempre tive que busca-las em mim mesma ou em exemplos próximos. Nunca me angustiei me perguntando de onde vim e para onde vou. Assumi minha ateíce quando vi que não me achava em nenhum credo e a religião a qual eu formalmente pertencia, batia forte e duro na minha razão. Quando eu era uma menininha, tudo que conseguia sentir em relação a minha igreja, aos seus ritos, suas imagens e seus prepostos era medo. Nunca me senti amparada por credo algum.
Só consigo me indagar o que faz as pessoas crerem em um deus, um “ser superior”, em algo que lhes deu inicio? Serei eu tão estupida que não alcance a capacidade de crer? Ou ao contrario, será que apenas eu consiga lobrigar através da densa névoa da fé, que ao meu ver, embota o juízo? As religiões, as seitas, as doutrinas, são tão absolutamente ilógicas que as vezes me pergunto como pessoas que sei tão inteligentes e cultas, possam professa-las. foto Google imagens


Durante algum tempo, o animismo kardecista me entusiasmou com sua racionalidade mas me afastei ao perceber nele um forte ranço conformista; também não me satisfizeram as explicações dadas pela doutrina ao papel desempenhado pelos animais em nossa existência, mas principalmente por seu aspecto fenomênico dar ampla margem à empulhação e mistificação, por estarem entre seus auto-proclamados seguidores, as mais abjetas pessoas que conhecí. Sei, sei que elas estão em todos os credos, mas no animismo kardecista, são incrivelmente numerosas.
Consigo viver de uma forma ética sem ter que temer, obedecer ou crer em algo superior a mim, que me deu origem e por isso lhe devo o respeito e a obediência. Não posso crer no que não consigo entender. Se saísse em busca de respostas, se estudasse para tentar talvez encontrar o motivo que fez os tais eruditos crerem... mas não me sinto assim, tão incitada a ponto de encarar uma empreitada de tal proporções. Prefiro me orientar pela minha justa razão.
Eu não preciso de um deus que me oriente sobre o certo e o errado. Sou capaz de discerni-lo sozinha, qualquer um de bom carater o é. Primariamente, basta que eu não faça aos outros o que não desejar que me seja feito e se ainda assim, conscientemente eu optar por fazer o que é injusto ou errado, não terei nada a temer além de minha própria consciência. E esta sim, eu temo. Ela costuma ser implacável.
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Não sou incapaz de matar porque é pecado, mas sim por um impeditivo de cunho moral característico de minha formação. O mesmo posso dizer quanto a roubar, ludibriar ou mal-tratar quem ou o que quer que seja. Passei há muito da fase de não fazer isto ou aquilo porque alguem não o quer e se fizer serei castigada. Não farei coisas que julgar não serem boas ou certas simplesmente porque isso poderá, ocasionalmente prejudicar alguém e não quero esse ônus comigo.
Devo admitir que é dificil não crer, especialmente quando nas horas de aflição. O sentimento de impotência e abandono é, algumas vezes, acachapante mas o pior é ter que gerenciar o sentimento de injustiça. Quando se é vitimado por uma injustiça é muito consolador dizer a si próprio ”deixa, ele vai ter que prestar contas...” e crer que haverá realmente um acerto, afinal é mais cômodo “deixar tudo nas mãos de Deus”.
Eu acredito que as injustiças só acabarão quando o homem perceber que vive melhor sem elas e não por medo de ser castigado ao comete-las; quando o fizer por um imperativo moral e não pela coação de leis escritas. O mundo está cheio de exemplos de que muitos não temem castigos, seja de que natureza for, irão atrás de seus objetivos passando por cima de vidas e valores se necessário. Digo e repito, o homem é a origem de todo o bem e de todo mal que existe na Terra. O mundo só será melhor quando ele entender que o mal na forma do egoísmo, hedonísmo e da ganância, não leva a nada além da frustração pois são prazeres imediatos e fugidios.
Acho que, apesar dos pesares, a humanidade tem evoluído e existem hoje muito menos injustiças e barbárie que a cem anos atrás. A evolução é lenta mas inevitável e toda ela deve ser creditada a nós, aos nossos esforços.
Sim, existem muitas coisas para as quais não tenho entendimento, quanto mais para tentar explicar-las, mas não é por isso que vou credita-las a uma divindade, como faziam nossos ancestrais diante do iiexplicável.
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A morte, então, é um enigma tão fabuloso quanto a vida. Ela não me assusta nem me preocupa e algumas vezes sua inevitabilidade até me conforta. Penso muito mais nela agora do que pensava há 20 anos atrás, mas o faço sem angústia, sem receios, talvez por vislumbra-la mais próxima e claramente.Quando se é jovem, a morte é algo longínquo, possível muito mais para os outros que para nós mesmos e quem sabe, por isso a desafiemos com tanta irreverência. A vida é um fenomeno extremante complexo que no afã de entender, tentamos estúpidamente colocar dentro de nossos estreitíssimos parâmetros humanos e aquilo que não se adequa a eles, pimba – é divino. Aleluia! Mal gerenciamos coisas como o espaço temporal. O que é passado, presente e futuro? Ainda temos muito a aprender apenas neste aspecto. Nosso entendimento rapidamente se perde e se confunde quando apenas ousamos especular a possibilidade de intervir no passado. Por mais que engedremos, tudo que conseguimos no final são reticências... e mais dúvidas. Qual a solução para estas angústias? Deus! Ele sabe tudo, ele pode tudo e, é claro, está sempre do nosso lado da trincheira. Seremos uma criação de deus ou ele será uma criação nossa? Já li isso em algum lugar. Quando digo que sou atéia, as pessoas me olham como se eu estivesse candidamente admitindo que sou uma pérfida, devassa e impia criatura. Num primeiro momento me sentia desconfortavel e evitava o assunto, depois, perdia a paciencia com os olhares incrédulos ou piedosos que elas me lançavam. Muitos me perguntam "Como consegues não crer?" , ao que eu respondo " Como consegues crer?". Também não fui ponto de crer que tudo não passa de um punhado de leis quimicas, físicas e matemáticas, ainda que a cada avanço da ciencia justamente nestas áreas, se descerrem novas fronteiras que julgavamos da seara divina.
Não é tão simples assim.
Amém.

Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!

    Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...