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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Aqueles seis...ficaram quatro.


foto de DRReis
Me passaram a perna, aqueles pequenos cockers spaniels americanos. Nunca imaginaria ve-los com quase um mes. Após um parto difícil e completamente rejeitados pela mãe, quatro "vingaram" e dois ficaram no caminho. A maiorzinha teve um problema no olho esquerdo que certamente a deixaria cega. Um animal cego é uma das coisas mais tristes que posso listar. Eles até acabam se superando e com o apoio dos donos e paciencia, a vida não é tão severa, mas o susto constante, o sobressalto a cada simples aproximação, acaba os deixando estressados e imunodeprimidos, vulneráveis demais. Não sou apologista da eutanásia mas ela deve ser considerada nestes casos. O mesmo vale para animais que perdem a capacidade de locomoção ou de realizar satisfatóriamente suas necessidades fisiologicas. O que vale é a qualidade de vida deles. Sofrem eles, sofremos nós. A eutanasia é um instrumento que me é legalmente colocado ao alcance das mãos.
Não me lembro de quantas já fiz.
Quando tenho que realizar este procedimento, procuro pensar o mais tecnicamente possivel. A anestesia deve ser feita de modo a obter uma boa sedação com o minimo de dor e de desperdício de fármaco. O produto letal de eleição deve ser o mais eficiente e rapido pois muitas vezes o proprietario exige presenciar o procedimento. Que tipo de curiosidade mórbida pode levar uma pessoa a desejar ver a eliminação - mesmo que caridosa e necessaria de seu ..... amigo?
Quantas vezes ao me aproximar de um paciente moribundo, para perscrutar o loco e fazer a intracardíaca, sou recebida com um lento e exausto abanar de cauda..É pra matar - sem trocadilho infame! Nestas ocasiões fico me mortificando. Pensamentos do tipo: Eles confiaram em ti. Tirei a vida de uma criatura de Deus - o Deus no qual eu não creio, mas que devo respeitar pois outros creem. Mas o que é a vida? O que é a morte? Duas coisas que posso fazer e desfazer com minhas artes.
Enfim, os pequeninos cocker que não sobreviveram me pouparam de mais um sessão de auto-flagelação psicologica a que as eutanasias me submetem. O proprietario não ia querer ficar com um cão cego ou com retardo e após vinte anos, já me curei de perfilhar todos os enjeitados, tortos e mal-amados que a profissão me apresentou. Foram embora por si mesmos.
Obrigada meninos.

Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!

    Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...