Já houve época em que eu curti mais o Carnaval. No interior, as passeatas de carros começavam as 17 horas e levavam em jipes de capotas arriadas, diversas pessoas fantasiadas! Naquela época, dificilmente uma pessoa que trabalhasse na área agrícola não possuisse um jipe ou uma caminhoneta Rural Willys de sua propriedade!Tinha a paródia bem humorada da "Ranha do Carnaval" geralmente algum homem vestido em roupas de sua esposa, acenando para as pessoas que lhes lançavam borrifos de agua com as bisnagas de plástico e confetes em profusão! Me lembro de meu tio, muito amado, Flávio, o respeitavel Dr. Flavio Praetzel, dentista da cidadezinha (espantosamente metido em um maiô azul marinho muitos números menores daquele que sua anatomia masculina permitia)de minha tia Leda, sua esposa. Uma peruca castanha que só Deus sabe de onde surgiu, de baton carmim que lambuzava o seu bigode basto e uma colcha amarrada no pescoço a cumprir o papel de capa pudica da fantasia!! Ele e seu amigo e compadre, o fazendeiro Beto Broll que também se travestia em roupas de sua esposa - coincidentemente chamada Leda também - só que possivelmente muito mais desconfotável pois o seu Beto não era exatamente um homem magro e dona Leda mantinha sua esbelta silhueta não obstante os sete bebes que já haviam tido!! Meu tio se prestava pra isso e nos fazia rir muito, a todos seus clientes e amigos! Minha tia Leda, uma das mulheres mais bonitas que já conheci, era parceirona de tio Flávio, mas não se envolvia na fuzarca, apenas ria muito das performances dele e de seus amigos e deixava ele se divertir em paz sem recriminações como faziam algumas outras esposas, inclusive e principalmente sua xará e comadre. Junto com eles neste escracho estavam também o farmaceutico, o fotógrafo, o médico e varios outros comerciantes serios e veneráveis cidadãos da comunidade a fazer nd Carnaval, realmente uma FOLIA!!! Meus vós recebiam todos os filhos e os filhos dos filhos em sua casa enorme e era uma festa só!! A tarde, era o baile infantil que confesso, não curtia muito pois era - naquela época - um tanto timida e insegura! Íamos todos fantasiados cada um com seu motivo, me lembro da fantasia de "camponesa húngara" de minha prima Emilia, com uma tiara de flores e fitinhas a moldurar seus cabelos, saia com gregas coloridas, botas de cano alto e um pandeiro como acessório. Meu primo Ramiro foi fantasiado de lutador de box com calção largo preto, luvas de box, uma toalha enrolada no pescoço e, óbviamente, um olho pintado de roxo!! Minha irmã Kênia (ela mesma acabou de me lembrar!) vestia uma fantasia de holandesa, colorida com aventalzinho de rendas branco e a indefectível touquinha de pontas elevadas - mas como ela mesma lembra, só faltaram os tamancos que seriam imensamente desconfortáveis num baile de carnaval!. Já a minha fantasia não era tão aprimorada, muito mais pela falta de tempo em consegui-la do que pelo entusiasmo em participar do bloco. Minha mãe ajambrou para mim um traje de frevista composto de um short branco, uma blusa listrada e uma sombrinha multicolorida que mais atrapalhou que ajudou na festa mas sem ela eu pareceria mesmo era mais um moleque sem fantasia a brincar no salão!! O carnaval já foi sim, um manancial de boas lembranças mas depois, não sei exatamente em que tempo, se perdeu. Perdeu a ingenuidade, o bom humor a espontaneidade e, principalmente, a alegria que deveria ser sua chama vital.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
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Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!
Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...
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Houve um tempo, lá pela minha adolescência, em que eu lia tudo que me caísse nas mãos, sem critério, sem indicação, sem um objetivo. Tímida...

Um comentário:
Boa lembrança! Venha curtir o carnaval aqui na cidade ou bairro. Aqui se preserva muito do que descrevestes.
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