segunda-feira, 26 de outubro de 2015

My Sweet surrender

Eu queria, ele queria, nós dois queríamos muito mas não nos entendíamos, mesmo se sentássemos e conversássemos. Por isso foi assim, aos trancos, aos empurrões , numa guerra sem vencedores, mas com muitas rendições. Não creio que quiséssemos realmente cada um submeter o outros mas éramos ambos muito orgulhosos. Não creio que quiséssemos realmente aquele ambiente belicoso mas a disputa era o ar que nos mantinha vivos e até juntos. Uma vida de loucos, não tinha como dar certo, mas deu. Então, a dor veio cobrar seu tributo ao amor e levou um de nós assim, sem adeus, sem aviso, cheios de promessas de que agora sim iria dar certo, afinal, éramos tão mais maduros !
  Ficou a dor de não ter respondido aquele tímido e inseguro "Eu acho que te amo!", ficou o desespero de não tê-lo feito escutar minha alma cheia de felicidade gritando "Eu também, eu também, eu também te amo!", Ficou a impressão de um imenso desperdício de sinceridade, ficou aquela sensação de irremediável perda como deixar um brinco de diamante se esvair pelo ralo da pia. Eu não achava, eu tinha certeza que o amava e amo ainda hoje, assim, do meu jeito bronco, contido, envergonhado mas total.

(Foto de Maria do Carmo Both)
 

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