Não gosto de pessoas que, por serem maduras, se arvoram em conhecedores da alma humana. Elas tendem a falar com jovens com um falso distanciamento e uma indulgencia compreensiva para com suas inseguranças como se já tivessem avançado ao ultimo degrau da evolução humana. Aos seus pares aproximam-se e portam-se como se nenhum defeito ou segredo d´alma destes lhes pudesse passar despercebido. Acham que podem vislumbrar a nudez do espirito alheio e a descrevem e alardeiam sem pudores mesmo que esse vislumbre não passe de uma fantasia idiota de sua mente pretenciosa. Essas pessoas analisam, julgam e condenam - ou inocentam - suas vitimas através de seus próprios e particulares conceitos que julgam ser infalíveis. Normalmente são bem articulados e inteligentes, poderiam gerar conversas frutíferas e agradáveis mas lhes falta a benção da humildade, da autocrítica e do reconhecimento de que no outro há uma pessoa esperta, passível de opiniões divergentes e inclusive corretas. Como é difícil tratar com pessoas assim. Sei que nada me obriga a suportá-las mas tenho por elas um profundo sentimento de piedade e talvez por isso, a tolerância - que tem limites, tem sim.
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