domingo, 24 de julho de 2011

Uma dor de cabeça

Uma dorzinha de cabeça prenunciando enxaqueca.
Sem analgésicos em casa fui até a farmácia logo ali a tres quadras de casa, com a indumentaria bem a vontade que me coloco à noite para ver TV e dormir. Aquele velho blusão de lã que cabem duas de nós dentro e a calça de abrigo que a gente pisa na barra de tão comprida e larga. Lá, quando fui estacionar numa vaga, um merdinha mal-educado quase bateu em meu carro e tomou-a de mim. Tive de deixar o carro bem em frente a loja de conveniência que é um point do bairro nos sábados a noite. Bueno, me obriguei a deixar o carro sobre aquelas faixas xadrezes que devem querer avisar que não se pode estacionar ali pois é local de passagem de pedestres para a loja. No carro ao lado, em pé e com a porta aberta, um senhor se afastou um pouco para eu estacionar (hummm, bem apessoado, alinhadão, grisalho, bem vestido e me olhava muito sério) . Eu, cheia de culpa, saí do carro e com o sorriso amarelo, me obriguei a me desculpar por botar o carro ali pois ia na farmácia e não demorava, não tinha mais lugar e bla, bla ,bla, bla... Ele sorriu e me disse: "Mas eu não estou lhe olhando porque a senhora está estacionando seu acrro aqui e sim porque não reconhece mais um colega, de faculdade!!" Santo Deus! Quem?? Me desculpei MAIS AINDA e admití que realmente não o estava reconhecendo. Ele estendeu a mão e disse: "Sou o Capilé, guria!! Tu não me conheces mais?". Ave Maria de Minh'alma! O Capilé? Aquele gurizinho minguado, cabeludo, quietão, quase transparente? Nossa, o tempo foi muito generoso com o cara! Mais um da categoria wineman (da qual o Eraldo Bernardo é um dos principais representates - he,he,he - aquela categoria de homens que na maturidade estão no auge do seu charme, derramando swing, dando de goleada na figura da juventude - E Chega! senão eles ficam bobos). Como eu dizia, naquele momento desejei que a terra se abrisse e me tragasse para as profundezas do inferno e se fechasse imediatamente!!! Quando lá na farmácia me olhei naquela profusão de espelhos desejei ardentemente morrer. Eu - ai, tadinha de mim - com aquela roupa, sem maquiagem, cabelo amarrado num rabicho atras da nuca e - Oh! Deus!!! - de pantufas de oncinha. Espero nunca mais encontrar o Capilé, nem que eu esteja des-treslumbrante e bela, pois o estrago já foi feito hoje.

PS: Me animei a publicar este texto porque Publio Athayde, meu intelectual favorito, achou-o muito bom. Ele é mesmo muito generoso.

4 comentários:

Unknown disse...

Ainda hoje me surpreendo com tudo isto! Abração!

Unknown disse...

Ainda hoje me surpreendo com este texto. Abração!

Kk disse...

Mas o que há de tão surpreendente em uma velha colega de faculdade constatar que o garoto que ela achava apenas simpático se tornou um belo homem na maturidade, de cabelos encanecidos que lhe conferem uma ar de dignidade desmentidos por um sorriso insinuante, para dizer pouco. Abração pra ti também, Unknow.

Unknown disse...

ora, o surpreendente é que tendo feito isto, a pessoa se mostre arredia e não queira conversar, via instagram, por exemplo

Minha "irmã" americana e minha paixão pelos EUA!

    Em 1971 eu implorei a meu pai que me deixasse participar do programa de intercâmbio cultural AFS, American Field Service, onde eu passa...