terça-feira, 19 de março de 2019

Elmer Fudd, meu amor!



Mais uma historinha de saudade:
Quando Elmer nasceu, não fazia muito tempo que eu perdera minha Dalilah e quando fui então revisar uma ninhada bati os olhos num nenê que se sobressaía pela maravilhosa pelagem merle. Ao conferir o sexo de cada um, fiquei torcendo pra que aquele merle fosse uma feminha pois por mais que houvesse a negação, eu sabia que um dos filhotes viria pra mim. Meu amigo Mario, o criador, já havia promulgado a sentença: um é teu!
Quando vi que era um machinho fiquei fortemente inclinada a desistir daquela lindeza, eu queria tanto uma fêmea, estava tão acostumada com aquelas barrigas lisas e sem as “excrescencias penianas” a atrapalhar meus beijos estalados na pança, estava acostumada com a a pesada hegemonia feminina lá em casa, mas na verdade, eu estava atrás é de minha Dalilah.... Algum tempo depois quando a ninhada abriu os olhinhos, numa nova inspeção peguei aquele toquinho de cão entre as mãos e ao olha-lo de perto fui rendida, totalmente subjugada, arrebatada por aquele azul cristalino que inundava seu olhar “desigual” . Nossa, ele é lindo! mas que pena que é um machinho.. .


É claro que o escolhi. Na verdade, foi melhor assim. Elminho me diz "Eu sou eu!!" cada vez que me surpreendo procurando feito uma idiota pela minha Dalilah em seus modos e atitudes. Ele grita "Eu não sou ela!" quando procuro inconscientemente na sua pelagem macia aquele cheirinho azedo da minha cadelinha  que se fora... Seria muita injustiça para com este filhote, novinho, confiante e inexperiente concorrer com o fantasma de um amor tão arrebatador e inesquecível como foi o meu "fedor canino". Pra frente é que se anda, é superação.Tudo agora é lição nova que devo aprender Tenho que estar pronta para as aulas que o Elmer vai me dar.








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